Capítulo I

Meu pai é um monge mercenário, um famoso ninja, conhecido como Eontheathengmon, características suas são a furtividade e seus assassinatos limpos. É líder do primeiro monastério do qual fiz parte, que antes era de um antepassado tão distante que é conhecido como Pai de Todos. Éramos originalmente um clã fundado com a intenção de aprimorar as habilidades que possuíam e servir aos que podiam pagar, unindo habilidades de seres exilados. Assassinos e renegados de todas as raças começaram a se integrar, agora sob a liderança de um líder da família há mais de 800 anos.

Monastério, lugar onde monges exilados uniam-se para ensinar as artes do Chi e do Caminho da Sombra. Acabamos por nos tornar o monastério mais sombrio e temido de que já se ouviu falar. E lá eu nasci. Uma menina em meio aos monstros, um monstro eu devia me tornar.

Um monge recém-chegado foi designado para meu treinamento, aos meus dois meses de vida, pois meu pai acabara por matar minha mãe, por ela nunca ter-lhe dado uma criança, e quando deu, foi uma menina fraca e doente, não a matou fisicamente, mas sim com a força de seu ódio, ela não suportou. Nunca tive contato com meu pai, e Lezarél foi meu pai. O monge tinha 41 anos quando recebeu minha tutela. Educou-me em letras a partir de meus dois anos, ensinando-me o idioma comum, gnômico(que ele julgou muito útil algum dia) e por fim o celestial. Aprendi como um legado a ser passado da família de Lezarél, que possui um antepassado celestial.

A partir de meus quatro anos fui treinada para luta física, primeiro minha agilidade foi incitada, depois minha destreza. Apesar de sua bondade e carinho por mim, meu mestre era extremamente rígido, e me punia severamente a cada deslize. Aos meus 7 anos declarou que minha mão esquerda estava muito pior que a direita em desempenho, disse-me para quebrar a mão direita, ou ele a quebraria para mim. Naquela mesma noite incitei um cavalo selvagem, e durante seus saltos, me arrisquei em uma pata trotante, consegui quebrar a mão direita. Durante 6 meses de cura aperfeiçoei a mão esquerda ao máximo.

Aprendi a ter benevolência, fiz coisas abomináveis para alguém tão jovem, mas era tudo para não enfurecer meu pai. Esse pai passou a odiar mulheres a partir de meu nascimento, assim, desde então fui mantida com cabelos curtos ou raspados, para não lembrar-lhe de meu gênero, esse pequeno detalhe se tornou muito útil em luta corpo a corpo, o cabelo é apenas uma vulnerabilidade.

Mesmo com meu treino conturbado, fui ensinada a meditar, a ouvir, pensar e agir. Aos meus nove anos saí pela primeira vez do monastério, acompanhada de Lezarél, que já contava com 50 anos. Peregrinamos pelos extremos do mundo. Treinei por alguns meses com os mestres do deserto, outros meses com os vagantes dos mares e passei mais uma porção em um monastério acima das montanhas. Falei com gnomos, mas não tive a oportunidade de conhecer um ser celestial. Meu mestre me ensinou sobre as divindades e conhecemos novos deuses, aprendi a qual servir e dever obediência, aqueles a qual destinar minhas orações.

A cada experiência, ganhava uma tatuagem para nunca me esquecer do que aprendi, do que fiz. Com 10 anos meu mestre desapareceu em uma floresta, vaguei sozinha, me alimentando de pequenos pássaros, matando-os com pedras. Segui perdida por muitos dias, mais do que pude contar.

Em determinado momento de minha peregrinação em busca de meu mestre, fui abordada por dois homens, aparentemente dois mercenários. Eles me fizeram perguntas evasivas sobre quem eu era, o que fazia ali, se estava com alguém. Como não respondia e apenas os encarava, eles me atacaram, um me agarrou o pulso, e soltei um pequeno guincho de surpresa, ao notarem que era uma garota, seus planos mudaram, com uma rápida troca de palavras decidiram me vender para degustadores de crianças. Aquela situação já estava chata, desembainhei uma pequena adaga de 10 cm que carregava comigo, cortei o pulso daquele que me agarrava. Saltei sobre o segundo com a adaga na mão e lhe perfurei o ponto cego abaixo da mandíbula do lado esquerdo, fiz dois buracos naquele local, erro meu, gerou muito sangue. O primeiro voltou a si, com uma espada na mão esquerda, enquanto o pulso ferido jorrava. Seus movimentos lentos não lhe deram chance. Lancei-me por entre suas pernas, ataquei suas coxas nesse movimento, e ao me posicionar atrás dele, saltei, me agarrando em seus ombros e abri-lhe a garganta.

Após isso busquei água para me lavar, e na beirada do lago encontrei meu mestre sereno, sobre uma pedra, acariciando uma pequena criatura. Minha raiva pelo abandono foi suprimida pela surpresa. Ele sinalizou para que me aproximasse silenciosamente. Quando me pude ver nitidamente, era uma criatura pouco maior que um gato.

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