Talvez toda a possibilidade de que sejam vozes erradas em minha cabeça torne isso um pouco mais difícil. Lembro de um momento em que me viraram para a expressão de uma pura e singela palavra de carinho. Poderia hoje pensar que era mentira, porém, por que mentiram para mim sobre isso? Não estava em posição favorecida, não poderia oferecer nada, apenas um surpreso agradecimento.
E quando reconheci um esforço, e fui pega percebendo que aquela pessoa me admirava sem que eu nem soubesse, e se alegrou com minha expressão de apoio. Como isso não faz importância?
Não é possível que a mente seja tão ignóbil a ponto de ignorar qualquer chance de autorreconhecimento, também deixando de lado todos os sinais de que está tudo bem e que não sou como me vejo, sendo apenas versão distorcida do que eu gostaria que fosse.
Olhando para o passado, tudo sempre é melhor. “Há um ano estava mais feliz, há três estava mais magra, há cinco estava mais inteligente.”
Mesmo hoje, é possível que eu viva o agora, não reconhecendo nada de bom nele, enquanto esse mesmo tempo em poucos meses se tornaria o bom tempo em relação ao agora do futuro. Por que dessa obsessão por viver no passado? Nunca o agora está bom, sempre está ruim, embora o passado sempre esteja melhor. A mente prega peças e depende de mim, apenas, a aceitar ou pregar peças também.
Uma grande dificuldade existente é pensar, escutar e escrever isso, e nunca, jamais, assumir que deveria mudar o modo de ver o mundo a partir do ponto de que o futuro não existe, o agora deve ser vivido.
A vida é tão linda, mesmo em seus piores momentos, por que me agarro às memórias aumentadas e distorcidas de coisas ruins? É uma forma de martírio e punição acerca do que sinto culpa? Isso ainda não é justo. Acredito que uma das piores maldades que podemos cometer, é o abuso contra nós mesmas.