Eu não posso pedir desculpas. Isso não será possível. Não posso me desculpar por acontecer. Aconteço a todo instante. Não quer dizer que o que acontece seja sempre certo, mas acontece.
Em todas as prosas, em muitos dos versos.
Sonho com as palavras ditas, com foguetes perdidos em nebulosas de verbos não conjugados, de frases não formadas em estrelas que apenas acabaram de começar a queimar, e queimam em mim.
Com a euforia de um alvorecer inédito, repetitivo em sua surpresa, eterno em sua forma.
A inércia que persiste dentro do labirinto de letras perdidas, desencontradas, longe do paraíso final – daquele sorriso, daquelas curvas que seriam a saída do que antes era perdido.
O amor fractal. O amor romântico. O amor efêmero. Que cresce e desvanece por si só. Escondido no enigma além do horizonte, no abismo do desconhecido, na diáspora do querer. E no esforço de secularizar o que se tem: tornar real.