Salva vidas.

Era uma noite de março sem nuvens, com um vento forte soprando as copas das árvores, muitos automóveis transitando e pessoas caminhando em direção a bares e lanchonetes. Dentro de um deles, atravessando o cruzamento, puderam ouvir um lamento abandonado, em meio a confusão de luzes, daquele ser que há muito não comia.

No carro, uma criança implorando para que o seu pai parasse o veículo, e logo, com sorte, seus pedidos foram atendidos. Ela desceu tropeçando em seus próprios pés, fadigada após vir de um restaurante em que se fartou de comer. Seguiu olhando por entre os carros estacionados em uma calçada, procurando escutar os pedidos de socorro e seu dono.

Olhando debaixo de um deles, lá estava, facilmente poderia ser tomado por um rato, apresentava pelos ralos e eriçados, acompanhados de uma carcaça ossuda e frágil. Ela permaneceu chamando-o da melhor maneira que pode, ele não propriamente fugiu, mas não deixou-a se aproximar demais pelos primeiros minutos, entretanto, com insistência, conseguiu vencer pelo cansaço, com carinho ergueu-o no ar e em seus braços foi em direção a sua família que esperava (isso foi extremamente confuso, pois compreensão não era o forte daquela gente).