Sonho de ação

“Eles vão me pegar”
Disse para mim mesma enquanto corria por um estacionamento. A minha frente dois prédios se levantavam. Ambos eram iguais, aparentavam ser baixos por serem bem largos, mas contavam com mais de 15 pisos, não tive tempo de verificar isso.
Comecei a dar a volta no primeiro e escutei um som característico, o chamado de um gato. Olhei mais atentamente e colada a parede havia uma pequena felina negra assustada.
“Seria a minha gata? Não poderia, como ela teria vindo pra cá?”
Na dúvida a peguei, não houve resistência.
A embrulhei nas roupas a tempo de me esconder, o grupo estava no topo do prédio aí lado.
“Será que me viram?”
Contornei para o lado oposto. Procurei janelas abertas, entrei primeira oportunidade que tive naquela construção.
Sem elevadores, corri escadaria acima. Um, dois, três pisos, perdi a conta, meu instinto de sobrevivência estava latejando em meus ouvidos.
Ouvi o som de passos a distância.
“Não acredito, não tive cinco minutos de vantagem”
Em vez de subir o próximo lance de escadas, passei ao lado e percebi que embaixo dela havia algumas caixas cheias de materiais velhos, uma delas estava vazia. Me preparei para entrar nela mas.
“PARADA! POLÍCIA FEDERAL! Fique calma e lentamente deite no chão.” Um primeiro gritou.
“Ela não precisa disso, sabe bem quem somos. Está carregando o que aí? Fugiu de braços abanando e agora tem um pacote?”
Revirei os olhos.
“Uma cachorra como você não entenderia”
No instante em que pronunciei essas palavras, alguém apareceu na ponta da escadaria.
“Vocês podem fazer silêncio? Estou no meio de uma reunião.” A figura olhou mais atentamente nosso grupo, acho que reconheço esse cara, vi uma vez no trabalho.
“A falsa PF em meu patrimônio? Vocês não precisam apontar uma arma para meu peito ou algo do tipo? Façam silêncio”
Os 15 homens se entreolharam e buscaram a resposta com a mulher líder do grupo.
“Fiquem calados, animais, ele está fazendo pirraça. Já estamos de saída, vossa excelência.”
Ele virou as costas e não foi mais visto.
Novamente a atenção está voltada para meu rosto.
Nesse momento uma grande comoção começou no terraço do prédio e nas escadarias abaixo. Um novo grupo de preto apareceu.
Aproveitando a distração dos meus opressores, corri lance acima só para encontrar minha chefe. Ela me olhou com raiva para em seguida dar um suspiro.
“Da próxima te deixo pra eles pra você aprender a ficar esperta.”
Olhei para baixo e o esquadrão falso estava sendo contido sem ressoar tiro algum.
Fui em direção ao sofá, minhas pernas tremiam mais do que poderiam me sustentar sobre elas. Olhei o gatinho que não tinha me dado trabalho mais atentamente, era um machinho assustado.
“Tudo bem, já que estava comigo, vai ter uma nova irmãzinha quando chegarmos em casa.”

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