Ah, celular, eu te quebro

Talvez o ato de confiar seja como escrever cartas de amor, é ridículo. Mas ser ridículo está inerente.

Ser tapada, tonta, ignorante, faz parte. Talvez entender que grande parte desse sentimento, provém da irresponsabilidade emocional que o outro carrega, ou melhor, da responsabilidade ausente de empatia com o próximo, no qual cultivou e fez cultivar carinho.

É ridículo pensar o quão ridículo podemos ser, ou sentir que somos, mas que na verdade só faz parte do comboio de sinceridade que podemos oferecer, e que, se tudo der certo, não será ruim, será bom, não mudar, deixar que o que é inerente, permaneça assim, sem culpa, sem arrependimentos.

O arrependimento é fator comum e dominante, mas a partir do entendimento que, o arrependimento se trata de algo que não se pode mudar, que não é possível voltar atrás. Fica apenas o entender o que aconteceu e seguir em frente com as consequências daquelas escolhas.

E se, eu, como dona de um céu noturno, estrelado, bem escuro, não consigo controlar quem toca nos meus astros, naquilo que brilha em mim, como eu seria dominante de mim mesma? Acaba que se o que é meu, estiver disponível para ser manchado, mudado ou arrancado de mim a cada nova experiência, ao final da vida, sobrarei apenas a crisálida, com uma mariposa em seu interior, ressecada pelo tempo, pois não conseguiu sobreviver o suficiente para nascer?

Não acredito que essa perspectiva seja justa comigo, afinal, não venho sendo justa mesmo durante esses anos. E mesmo que não me sobre alguém, eu ainda estarei aqui para contar a história de como não fiquei inteira?

Talvez o querer, ou fingir, ou me forçar a me importar, possam estar tudo no mesmo balaio. Decisões erradas, equivocadas, entendidas como algo que não é nada demais, como uma vez só, podem ter consequências para o entendimento moral, questionando quem fui e quem serei após entender a gravidade delas. E no fim, as más decisões nunca vão embora. Elas ficam. Sussurram os erros que foram cometidos, acariciam os cabelos na hora de ir dormir. E visitam os sonhos, se aproximando lentamente, na figura de um homem vestido de terno e gravata, com seu sapato social novo, cujo o som faz “toc-toc” ecoando pelos corredores, enquanto ele tenta chegar perto, para que possa finalmente cessar aquilo que maltrata, alocando as mãos gentilmente ao redor do pescoço, pressionando e acabando com o que ficou errado e pendurado.

Ou não, ou aprendemos a entender o que foi errado, o que não pode ser mudado, e mudar. Não o que passou, mudar o que passará. Um, dez, centenas de erros, que podem ser respondidos, em contrapartida, por milhares de acertos.

O martír sofre só, e embora tenha dor vista, entendida, o sentimento é totalmente individual, talvez devesse carregar seus arrependimentos, não como pesadelos, mas como amigos de horas ruins, que não tiveram escolha se não acontecer.

E se, só e se, o ruim, não tenha sido a melhor opção do momento? A imprevisibilidade do universo é tamanha, a gama de tragédias fatais incalculáveis, que, quem garante, que não fez o melhor que pôde, dentro das circunstancias em que esteve?

No final, acontece, e está acontecendo. Só não deixar que qualquer pessoa toque em uma só estrela, como não deixar a si mesma arranca-las do seu céu.

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