O bom crioulo, por Adolfo Caminha

O bom crioulo foi escrito em 1895 por Adolfo Ferreira dos Santos Caminha, escritor que fez parte do movimento do naturalismo. Essa escrita naturalista deu origem ao romance experimental, consiste em colocar os personagens e cenários com características animalizadas, que retomam às origens primárias do ser. O Naturalismo foi iniciado no Brasil com a escrita

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Adolfo Caminha, (1867-1897)

do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, em contraposição ao Romantismo, apresentava o estudo do coletivismo acima do individualismo. É marcado também por ser o primeiro romance homossexual nacional e de característica antiescravista.

Bom-Crioulo era o nome que Amaro recebeu em seu trabalho nos navios, após conseguir fugir de uma fazenda em que era escravo, optando pelo mar, que oferecia extensa liberdade para o fugido. Com o passar do tempo, se desenvolveu e se tornou um homem desenvolvido e respeitado por todos a sua volta, tanto por sua moral inicial quanto por seu porte físico, pois logo se tornou alcoólatra, geralmente se metendo em brigas nesses momentos.

Em certo momento, ele se aproxima de um jovem grumete de cabelos lisos, branco e com formas suaves como a de mulher. O rapaz, sem completar ainda seus 18, era muito limpinho, em seu uniforme de marinheiro, querido por todos, principalmente pelo Bom-Crioulo, esse, no entanto, o queria de forma diferente.

Com o desenvolvimento dos sentimentos do homem pelo jovem e a proximidade do fim da viagem que faziam, os hormônios do mais velho estavam a flor da pele, com isso, na ultima noite na embarcação, eles tiveram sua primeira noite juntos, unindo seus corpos em um só.

Em terra firme eles foram morar na casa de uma portuguesa voluptuosa, que antigamente trabalhava em uma rica rua comercial servindo à clientes que iam em busca dos prazeres oferecidos por ela. Mas logo teve que se mudar, pois passou por uma doença que encheu seu corpo de feridas, teve que vender suas joias, foi à Portugal e retornou, agora morando em uma casa de alguns andares em uma parte mais simples do Rio de Janeiro.

O Bom-Crioulo a conhecia, e lá foi se hospedar com Aleixo, o rapaz por quem estava apaixonado. Juntos eles ficaram por um ano, até serem convocado novamente para o mar. Amaro foi chamado para trabalhar em um navio mais rígido, lá ele tinha a permissão para sair apenas uma vez por mês, mas enquanto não obtinha-a, seu amante que ainda residia com a portuguesa, estava tomando outros rumos.

Dona Carolina, a mulher, decidiu por tornar o rapaz seu amante, pois há muito ela não se sentia querida, embora não houvesse passado dos quarenta anos. Conseguindo conquistar o grumete, fez a cabeça dele para que repugnasse o Bom-Crioulo, com o objetivo de afastar qualquer chance de que fosse abandonada por sua recente conquista, que a fazia se sentir jovem e apaixonada.

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O Bom-Crioulo, 1895.

Amaro já alimentava um ciúmes louco de que Aleixo estivesse com outro homem, apenas essa ideia já o fazia sair de si. Sem conseguir sair da embarcação com permissão, ele foge para tentar ver seu amor, mal imaginando que a portuguesa que ele tanto considerava havia-lhe furado os olhos, mas ainda assim, em fúria, se embebeda e entra em uma briga.

Essa briga trás consequências, pois ele é pego pelo capitão do navio que abandonou, punido pela fuga, desordem e embriagues, é chicoteado até perder a consciência e para no hospital. Lá ele fica por um mês, lugar em que definha, ficando magro, com coceiras e feridas, além de abalado psicologicamente, já que seu grumete nunca o havia procurado desde que foi convocado para voltar ao mar. Ao tentar fugir do hospital, encontra um antigo companheiro de viagem, a mesma cuja qual o Bom-Crioulo conheceu o rapaz, por intermédio desse conhecido, ficou sabendo que o menino estava amigado em terra, mas não se sabia com quem.

Logo após isso, ele planejou uma fuga do hospital para ir encontrar e punir seu alvo de tanto amor e ódio, forma essa que se tomou a paixão que antes o consumia, agora local apenas de sua vingança desenfreada. Adormeceu durante sua caminhada, logo ao amanhecer seguir seu caminho.

Chegou em frente ao prédio que antes era sua casa, lar de seus desejos, onde viveu intensos momentos com o grumete, foi até a loja em frente e questionou acerca da portuguesa que lá atendia homens às vezes. Pela boca do atendente soube que lá ela morava com um adolescente, e que provavelmente estavam amigados, a fúria se tornou sobre o menino e a velha mulher.

Momentos depois, do outro lado da rua, saí Aleixo da casa em que vivia, abordado por Amaro no meio do caminho, discutiram e não havia dialogo que resolvesse. Uma grande confusão foi armada, pessoas curiosas, policiais, janelas bisbilhoteiras, conversas entrelaçadas, um corpo com sangue, o amante, um homem grande descendo a rua, o traído.

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