A menina e a Paixão

A gentil criança estava sempre acompanhada de alguém, fazia caminhadas diárias. A qualquer momento procurando novas estradas, passatempos e até coisas para brincar. Certa vez, encontrou uma mulher que nunca antes havia visto, ou sequer imaginado em sonhos. Era uma mulher belíssima, possuía os olhos castanhos amendoados e cabelos pouco mais escuros, e no rosto lhe enfeitava um sorriso que sorria com os olhos, o sorriso verdadeiro.
A desconhecida se tornou conhecida naquele momento, se apresentaram e a menina descobriu que a bela mulher se chamava Paixão. Logo mais, elas passaram a se esbarrar em caminhadas, Paixão estava sempre a plantar e colher, saltitante e alegre, conversavam sem parar. A menina, já esperta em relação aos jovens adultos, escutava e perguntava.
No final da primeira semana que se conheciam, Paixão estava estranha, a menina olhou para a plantação que ela sempre se dedicava e viu o problema. As leguminosas estavam apodrecendo. Paixão olhava fixamente para as raízes, na esperança de as consertarem. Após alguns momentos de insistência, a infanta convenceu Paixão a retirar o que estava podre e procurar o que estava errado, foi resolvido em algumas horas.
No dia seguinte, a menina viu de longe Paixão estagnada, novamente. As leguminosas ficaram ainda mais podres. Repetindo o processo do dia anterior, fez com que a mulher insistisse em arrumar aquele problema bobo.
Já no terceiro dia, a menina se assustou. A plantação estava esmigalhada, o jardim em chamas. Correndo para o meio da confusão, procurou por Paixão, que poderia estar machucada e logo a encontrou. Ela estava descabelada. Os lindos olhos castanhos brilhavam um amarelo escuro, os cabelos desgrenhados e o sorriso que sorria com os olhos, louco.
“Não funciona! Não funciona! Não funciona!”
“O que?”
“Qualquer coisa! Não funciona!”
A vendo naquele estado, começou a caminhar de costas, aquilo era fúria, aquilo era ódio. Ao ver a menina agir tentar fugir, a viu como uma leguminosa. Se levantou, bateu a poeira das calças e obteve mais um foco de sua insanidade. A menina correu, mas não o suficiente.

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